Receber o diagnóstico de câncer de próstata é, sem dúvida, um momento de muita tensão. Porém, quando o tumor é detectado em estágio localizado, as chances de cura são elevadas — e a prostatectomia radical figura entre as opções terapêuticas mais eficazes disponíveis atualmente. Entender o procedimento em detalhes ajuda o paciente a tomar decisões mais conscientes e a chegar à cirurgia com menos ansiedade.
Neste artigo, você vai compreender o que é a prostatectomia radical, quando ela é indicada, como transcorre o procedimento e o que esperar durante a recuperação.
O Que é a Prostatectomia Radical
A prostatectomia radical é a remoção cirúrgica completa da glândula prostática, das vesículas seminais e, quando necessário, de linfonodos regionais. O objetivo principal é eliminar o tumor confinado à próstata antes que ele se dissemine para outros tecidos.
Essa cirurgia difere de procedimentos como a raspagem da próstata ou o HoLEP, que tratam o aumento benigno da glândula. Na prostatectomia radical, o foco é oncológico: remover integralmente o órgão acometido pelo câncer.
Quando a Cirurgia é Indicada
O urologista pode indicar a prostatectomia radical em diferentes situações, principalmente quando o câncer está localizado na próstata e há possibilidade de tratamento curativo. Entre os cenários mais comuns estão:
- **Câncer de próstata localizado, incluindo casos de baixo, intermediário ou alto risco, após avaliação individualizada;
- Tumores com características que sugerem maior risco de progressão, desde que não haja evidência de metástase;
- Pacientes com expectativa de vida superior a dez anos, que podem se beneficiar de um tratamento com intenção curativa;
- Pacientes que, após discutir as opções terapêuticas, preferem o tratamento cirúrgico em vez da radioterapia ou da vigilância ativa.
A decisão envolve a análise do PSA, do escore de Gleason (obtido na biópsia), dos exames de imagem e das condições gerais de saúde do paciente. Por isso, o diagnóstico precoce é fundamental para ampliar as possibilidades de tratamento curativo.
Como o Procedimento é Realizado
Atualmente, a prostatectomia radical pode ser executada por três vias principais: aberta (retropúbica), laparoscópica convencional e robótica. A abordagem robótica, realizada com o sistema Da Vinci, ganhou destaque por oferecer maior precisão nos movimentos cirúrgicos, menor sangramento e recuperação mais rápida.
Na cirurgia robótica, o cirurgião opera por pequenas incisões, guiado por câmera de alta definição e instrumentos articulados. Na prostatectomia robótica, a maior precisão cirúrgica permite uma melhor preservação dos feixes neurovasculares, responsáveis pela função erétil, e das estruturas relacionadas à continência urinária. Isso pode contribuir para melhores resultados funcionais após a cirurgia.
Segundo dados da Sociedade Brasileira de Urologia, a abordagem minimamente invasiva já representa a maioria das prostatectomias radicais realizadas em centros de referência no Brasil.

Riscos e Efeitos Colaterais Possíveis
Como qualquer intervenção cirúrgica de grande porte, a prostatectomia radical carrega riscos que devem ser discutidos com o especialista. Os riscos mais comuns incluem:
- Incontinência urinária temporária: frequente nas primeiras semanas; melhora progressivamente com fisioterapia pélvica;
- Disfunção erétil: pode ocorrer, sobretudo quando os nervos não puderam ser preservados; medicamentos orais, injetáveis ou dispositivos como próteses penianas.
- Outras complicações cirúrgicas: sangramento, retenção urinária, estreitamento da uretra (estenose).
A cirurgia robótica oferece recursos tecnológicos que permitem movimentos mais precisos, visão tridimensional ampliada e melhor controle dos tecidos durante o procedimento. Essas características contribuem para reduzir o sangramento intraoperatório, aumentar as chances de preservação dos nervos relacionados à função erétil e favorecer uma recuperação mais rápida da continência urinária. A abordagem robótica está associada a melhores resultados funcionais e a menores taxas de complicações.
A incontinência urinária masculina pós-cirúrgica é reversível na maioria dos casos, especialmente quando o paciente inicia a reabilitação do assoalho pélvico logo após a retirada da sonda.
Recuperação: O Que Esperar Após a Cirurgia
Na abordagem robótica, a internação costuma durar de um a dois dias. A sonda vesical permanece por cerca de sete a dez dias. A retomada de atividades leves ocorre geralmente entre duas e três semanas, enquanto esforços físicos intensos devem ser evitados por até seis semanas.
O acompanhamento pós-operatório inclui dosagens periódicas de PSA para confirmar a ausência de recidiva bioquímica. Valores indetectáveis indicam que a cirurgia foi bem-sucedida na remoção do tumor.
Dúvidas Frequentes Sobre a Prostatectomia Radical
A cirurgia garante a cura do câncer? Em tumores localizados, as taxas de controle oncológico em longo prazo são muito favoráveis.
Posso ter filhos após a prostatectomia radical? Não. O procedimento resulta em esterilidade, pois as vesículas seminais são removidas junto com a próstata. Homens que desejam preservar a fertilidade devem discutir o congelamento de espermatozoides antes da cirurgia.
Existe alternativa à cirurgia? Sim. Radioterapia e vigilância ativa são alternativas válidas dependendo do perfil do tumor e do paciente. A escolha deve ser feita em conjunto com o urologista.

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